Ele era muito calado, vivia dentro do seu casco, como fazem as tartarugas. Depois começou a escrever, então conheceu o que havia dentro dos cascos dos outros.
Tiago Nascimento
Recifense. Escritor compulsivo. Poeta por acidente. Professor de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Redação. Estudante de Letras por paixão. Estudante de Direito por deslize.
Assim
Eu preciso. Não, é muito mais que precisar, é depender. Eu dependo do amor reluzente dos astros em constante mutação. Mutação primeira que é também última por ser sempre um começo e um fim. O fim das coisas nunca é agradável. Eu mesmo nunca soube suportar um fim. Sendo assim, me contradigo, porque se estou vivo, se meu sangue circula e meu cérebro sente saudade, é porque suportei de pé a solidão que é ressaca de coisa perdida. Se estou assim agora, é por causa do meu passado tosco e sem cor. Se nasço, permaneço um recém-nascido fora do útero que é a toca que acumula sentimentos e respirações para um dia cuspir o que há ali, bem ali. Se canto, hoje, uma canção de protesto, é claro que estou inquieto e inseguro. Amanhã, quem sabe, ao renascer com o amor dos astros, eu seja um pouco menos. Isso, menos.
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Um comentário:
Acho que parou de escrever por charme hehe
Muito lindo o texto, eu gostei!
Parabéns!
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