Tiago Nascimento

Tiago Nascimento
Recifense. Escritor compulsivo. Poeta por acidente. Professor de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Redação. Estudante de Letras por paixão. Estudante de Direito por deslize.

A vida que me persegue

Minha vida sempre foi um isto. Um isto qualquer que me impulsionava pra vida. Mas a vida é tão dura, tão audaciosa, que nem sempre eu aguentei mergulhar nas suas propostas. Autoritária que é, a minha vida sempre foi um caos. Pensei várias vezes em desistir dela, em me entregar ao outro lado, como um fugitivo que tenta se esconder em algum cantinho silencioso onde ninguém poderia me encontrar e me mandar viver. A vida incomoda. É como um enjoo, a gente quer vomitá-la e não pode. Eis que, depois de tanto tentar fugir, decidi enfrentá-la, olhá-la cara a cara e saber o que aquela insistência queria comigo. Então perguntei à vida o que ela queria de mim, me perseguindo tanto. Para meu susto, ela respondeu com ar de mãe que finalmente tem oportunidade de conversar com o filho:
- Quero que você viva. Pare de ter medo do próximo instante, porque ele não quer nada que lhe machuque, mas você irá se machucar, e muito. Mas perca o medo da vida. Perca a covardia de encará-la. Apenas viva. Arrisque-se. Compreenda-me.
Havia sumido daqui, esquecido que este blog existia. Às vezes abro a porta do quarto pra amnésia entrar, deitar e passar meses sem dormir. Eis que às 1h53 ela decidiu adormecer. Bendito seja o vosso sono.
Depois passo aqui e escrevo alguma coisa decente (oi?). Como se alguém lesse o que escrevo aqui...hahaha

Tempo

Não se iludam: uma parte de mim é até agradável de lidar, a outra, ou as outras, já que não sei ao certo em quantas sou dividido, é tão complicada de entender, tão assustadora de ver. Na verdade, eu nunca soube permanecer em lugar nenhum sem sentir fortes dores no peito, sintoma de nostalgia do futuro, de cansaço do passado e de despedida do momento presente. Não se iludam: o presente é uma farsa! As pessoas dividem o tempo só para amenizar a dor da perda. O tempo é um só: tempo. Eu gosto mesmo é de viver o tempo, sendo ele chamado por qualquer nome. O tempo que faz milagres, que mata, que destrói, que alisa, afaga e apedreja, tudo de uma só vez. Sim, porque eu não pedi pra ninguém me entender. Que parte de mim, agora, escreveu?

Devaneios

Agora é o final do agora. Daqui a pouco já é presente, e o presente, em um só instante, será passado. O instante que vivo é como dor de um parto sem feto. Isso, não há nada para nascer, mas é uma dor sufocante, arrepiante, que quase enlouquece. Mas enlouquecer tem suas vantagens, porque ser louco sem saber que se tem loucura, pode até nos salvar dessa selvageria chamada sociedade civilizada. Ah, e não quero me tornar mais um existencialista. Quero o que sempre desejei: o que ainda não fecundou. Quero o que ninguém suporta, o que ninguém aguenta, o que ninguém é capaz de abraçar. O que te escrevo, faço-o com as duas mãos apoiadas sobre um teclado de um computador que nem me obedece. Mas obedecer para quê? Nesta vida, meu bem, só os bobos obedecem.
Hoje é meu aniversário! O que eu quero para mim? Música, muita música, pessoas especiais ao meu redor, gente que tem amor pra dar, lua cheia, mar, água - muita água, boas notícias, espíritos evoluidos. Quero que Deus me prepare cada vez mais para ajudar o próximo e o distante. Quero Clarice, sempre e tanto. Milton e sua voz de trovão. Vinte e cinco anos de muita vida, nem sempre bem vivida, mas vida. E, de agora em diante, mais vida ainda, dessa vez bem, muito bem vivida! O cosmos está dentro de mim. A felicidade? Vejo-a ao abrir o coração e olhar pra dentro de mim. Velas acesas no espírito. Sorrisos escandalosos. Lágrimas? Lavam os caminhos. Quero o ar, o sol e as coisas lindas que a vida vai me dar.

Necessidades

Não estou precisando de quase nada. Só de alimento pra vida. Para a alma, um pouco de leveza, sim, porque o peso que sinto ainda vai me matar de sufoco de coisa maior. Para o corpo, mais gestos, mais afago, mais sensibilidade ao caminhar, ao ver as ruas do Recife, as casas das avós que viraram prédios, os teatros, os museus e as casas de putas que, sendo sincero, merecem respeito e admiração. Não estou precisando de quase nada, só de um pouco de juventude na veia, um empurrão com sabor de nostalgia...do futuro, do que está por vir. Eu ainda quero o impossível, o improvável, o que ainda não fecundou.

...

Tudo se acaba. Tudo chega e vai embora. Tudo! Queria tanto esticar os bons momentos, eternizar os melhores abraços, aquela risada gostosa que me enche de esperança pelo momento presente. Como queria que as pessoas fossem eternas, que o mundo não fosse mesquinho, que a vida eterna realmente existisse. Quero acreditar que vou ser muito mais feliz. Não quero desistir, nunca, vou tentar, tentar e tentar. Sem amarras, sem vírgulas, sem ponto final, só reticências. Sim, porque desejo que tudo continue: as brincadeiras, as amizades, os sorrisos e os abraços. Falo muito de abraço nos meus textos. Sim, porque é disso que o mundo precisa, é disso que eu preciso: realizar um sonho de abraçar um amigo que não vejo há mais de 15 anos...Ah, vida! Como é bom viver, como seria bom viver melhor em tua plenitude. Hipérboles, sempre! Hiperbolicamente feliz. Sim, amém!