Ele era muito calado, vivia dentro do seu casco, como fazem as tartarugas. Depois começou a escrever, então conheceu o que havia dentro dos cascos dos outros.
Tiago Nascimento
Recifense. Escritor compulsivo. Poeta por acidente. Professor de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Redação. Estudante de Letras por paixão. Estudante de Direito por deslize.
O quarto
Por debaixo de todos os lençóis, ela dormia calmamente, profundamente, quase como quem morreu. O ventilador soprava em seu rosto a poeira que a falta de esperança acumulou durante todos os anos de abandono. Na janela, a cortina balançava desesperadamente, derrubando jarros de flores, álbuns de fotografias antigas da família que (nunca) foi dela. Pedaços picotados de papel por todos os lados, frases interrompidas, poemas rasgados, tudo jogado no chão. A porta, que não fechava há dias por causa do tempo frio que a deixou inchada, fazia um barulho estranho, quase fantasmagórico. O quarto cheirava a cigarro dos fortes, nicotina por todos os lados. Das quatro paredes, só duas eram pintadas...de preto. Creio que o dia nunca amanhece ali.
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