Saudade, querida, sei da sua missão. Sei também que seu alimento é o decorrer da vida. Você vive das despedidas, da vontade de querer abraçar um amigo que mora longe, a pessoa amada que manda cartas quando cartas não bastam mais. Seja menos intensa. Chegue com cautela, devagar, de mansinho, porque, honestamente, eu não gosto de você.
As pessoas entram e saem de nossas vidas o tempo todo, e como se não bastasse o buraco enorme que se forma em nossas almas, você faz questão de cavar um abismo ainda maior repleto de dores, ansiedade e noites mal dormidas. Você, sim – você, porque não quero intimidade – é o mal do tempo, o que preenche os baús empoeirados, o cheiro das cartas engavetadas cheias de mofo. Você que faz a madrugada se prolongar por uma eternidade que só existe na alma. Faz sofrer.
Queria te mandar pro inferno, mas lamentavelmente preciso admitir que você é e sempre será o perfume de todos os abraços de reencontros.
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