Tiago Nascimento

Tiago Nascimento
Recifense. Escritor compulsivo. Poeta por acidente. Professor de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Redação. Estudante de Letras por paixão. Estudante de Direito por deslize.

69

Há coisas e costumes que realmente não combinam. São estranhos. Fazer um 69, aquela esdrúxula posição sexual tão usada por pessoas viciadas na lei da reciprocidade, é complicado. Primeiro, porque exige conhecimentos prévios sobre onde está o que e onde meter a cara no o que encontrado, se é que você me entende. E quando encontra, xii, pode-se sair dali, ali dentro daquela coisa de tamanhos e formas variadas, com um deslocamento de mandíbula, um mau jeito na coluna, assaduras, marcas de dentes (sei lá, há gosto pra tudo, inclusive para receber mordidas em lugares exóticos) ou até mesmo com um gosto estranho na boca, não é mesmo?!
Pensando direitinho, por que será que as pessoas não fazem uma coisa de cada vez? Por que não recebem uma de cada vez? É pressa? É o medo que a pernoite acabe e não dê tempo de gozar pelo menos seis vezes?
Sem contar que há sempre alguém que só quer receber. Que enquanto a pessoa está ali dando tudo de si, a outra está lá toda largadona, sentindo que o que vem de baixo atinge. Acho impossível alguém fazer com primor desse jeito. Enquanto sentimos prazer, a língua enrola, trava, a boca seca, baixa uma espécie de caboclo que nos deixa sem força, sem vontade de parar de sentir todas aquelas coisas boas da vida. Seria melhor se cada um fizesse sua parte separadamente, sem pressa. É simples. A mulher deita (ou senta, ou fica em pé, dependendo da idade) e o homem dança swingueira com a língua, fazendo com que a beneficiada vire os olhos como quem escuta um concerto de jazz. Depois, ah! Depois vem a melhor parte. Tudo se inverte. O homem não precisa abrir nada, ainda bem! Não, eu não vou entrar em detalhes.
Não é simples? Pois é, uma coisa de cada vez. Uma boca de cada vez. De resto, é só relaxar e gozar, jovens!

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